sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Energia na Suécia – Kenneth Koch




Naqueles dias
Havia tanta energia dentro de mim e ao meu redor
Que eu podia usá-la e depois ainda guardá-la, como as roupas
que alguém compra apenas para ir esquiar
Mas acaba usando todos os dias
Pois todos os dias são como ir esquiar –
Acho que eu era assim aos vinte e três anos.

Quando vi aquelas seis jovens no barco – eu estava indo esquiar
E elas disseram, Somos todas de Mineápolis. Foi em Estocolmo.
Ver aquela mistura de um visual feminino americano
com sueco-americano era como ir esquiar
Embora eu não tivesse nenhum motivo para colocar toda a minha energia naquilo
ela estava ali, ela existia, era como um gigante que controla a própria fúria
Para o caso de precisar, ou como um pescador tem à disposição todas as suas varas e anzóis e iscas, e um acadêmico todos os seus livros
Ou como um aquecedor de água que tem o gás
Sendo ele usado ou não – eu tinha toda aquela energia à mão.
É sério, vocês são todas de Mineapolis? Eu perguntei, quase explodindo com a pressão.
Sim, uma delas, a segunda mais bonita, respondeu. Estamos aqui para passar alguns dias.

Durante oito ou dez anos eu lembrava desse momento
de tempos em tempos. Me pareceu que eu deveria ter feito algo na época,
Ter usado toda aquela energia. Fazer amor é uma maneira de usá-la e escrever é outra.
Talvez ambas sejam superestimadas, pois a relação é muito clara.
Mas provavelmente este é o destino humano e não vou contra ele aqui.
Às vezes as pessoas existem e a energia não, às vezes a energia existe mas as pessoas não.
Quando os deuses concedem os dois, um homem não pode reclamar

Kenneth Koch [1925-2002] nasceu em Ohio e fez parte da Escola de Nova Iorque. Começou  a publicar nos anos 50 e sua obra é extensa, incluindo poesia, prosa, drama. 
Dentre seus livros, está o lindo One train (1994), onde podemos ler este Energia na Suécia e Um trem pode esconder outro (sinal num cruzamento de trem no Quênia), primeiro poema que li de Koch em uma antologia The best of the best american poetry (está no blog da modo de usar & co.). Last but not least: a foto de Estocolmo é do meu irmão (André Garcia), que acaba de voltar de lá.  


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