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domingo, 15 de setembro de 2013

[platão lhe disse...] – e.e. cummings

platão lhe
disse:ele não
quis ouvir(jesus
lhe disse;ele
não soube
ouvir)lao
tse
certamente lhe
disse,e o general
(sim
senhora)
sherman;
e até
(acredite
ou
não)você
lhe disse:eu lhe
disse:nós lhe dissemos
(ele não ouviu,não
senhor)foi preciso
um pedaço niponizado do
velho elevado da 6ª
avenida;
no meio da testa:pra que ele ou
visse
na tradução de augusto de campos

domingo, 16 de outubro de 2011

Dinheiro – Gertrude Stein


Todo mundo agora só tem que resolver. Dinheiro é dinheiro ou não é dinheiro dinheiro. Todo mundo que ganha e gasta todo dia para viver sabe que dinheiro é dinheiro, qualquer um que vota para que seja arrecadado como imposto sabe que dinheiro não é dinheiro. Isto é o que deixa todo mundo louco.

Era uma vez um rei e ele se chamava Luiz 15. Ele gastava e gastava e um dia alguém ousou falar com o rei sobre isto. Ah, disse ele, depois de mim o dilúvio, pra mim vai dar, então qual é a diferença. Quando este rei começou seu reinado, ele era conhecido como Luiz, o bem-amado, quando ele morreu ninguém nem ficou ali para fechar seus olhos.

Mas realmente o problema vem desta pergunta dinheiro é dinheiro. Todo mundo que vive disto todo dia sabe que dinheiro é dinheiro mas as pessoas que votam dinheiro, presidentes e congresso, não pensam assim sobre dinheiro quando elas votam. Eu me lembro quando meu sobrinho era um menininho ele estava andando num lugar e ele viu uma porção de cavalos; ele veio para casa e ele disse, oh papai, eu acabei de ver um milhão de cavalos. Um milhão, disse o pai, bem de qualquer jeito disse meu sobrinho, eu vi três. Isto veio a ser o que nós todos dizíamos quando qualquer um usava números que eles não podiam contar, bem de qualquer jeito, um milhão ou três. Esta é toda a questão. Quando você ganha dinheiro e gasta dinheiro todo dia qualquer um pode saber a diferença entre um milhão e três. Mas quando você vota gastar dinheiro não há nenhuma diferença entre um milhão e três. E todo mundo tem que resolver se dinheiro é dinheiro para todo mundo ou não é.

Isto é o que todo mundo tem que pensar um bocado ou todo mundo vai ficar muito infeliz porque chega a hora em que o dinheiro é votado, de repente, vira dinheiro igual ao dinheiro que todo mundo ganha todo dia e gasta todo dia para viver e quando essa hora chega todo mundo fica muito infeliz. Eu gostaria mesmo que todo mundo resolvesse sobre dinheiro ser dinheiro.

É muito difícil para qualquer um entender que dinheiro é dinheiro quando têm mais do que eles podem contar. É por isso que deveria existir algum tipo de sistema que dinheiro não fosse votado correndo. Quando você gasta dinheiro que você ganha cada dia você naturalmente pensa várias vezes antes de você gastar mais do que você tem e você geralmente não tem. Agora se houvesse algum acordo de que quando alguns votassem para gastar dinheiro, que eles teriam que esperar muito tempo e outros teriam que votar antes que eles votassem de novo para ter dinheiro, enfim, se houvesse algum jeito de fazer um governo lidar com dinheiro do jeito que um pai de família tem que lidar com dinheiro, se pudesse haver. O sentimento natural de um pai de família é que quando qualquer pede dinheiro para ele, ele diz não. Qualquer pai de família, qualquer membro de uma família, sabe tudo sobre isso.

Então ate que todo mundo que vota o dinheiro público lembre como ele se sente como pai de família, quando ele diz não quando qualquer um na família quer dinheiro, até esse tempo chegar, vai ter um bocado de problema e alguns anos depois todo mundo vai ficar muito infeliz.

Na Rússia eles tentaram  decidir que dinheiro não é dinheiro, mas agora devagar e certo eles estão voltando a saber que dinheiro é dinheiro.

Que você queira ou não, dinheiro é dinheiro e é isso aí. Todo mundo sabe. Quando eles ganham e gastam eles sabem eles realmente sabem que dinheiro é dinheiro e quando eles votam eles não sabem que é dinheiro.

Este é o problema com todo mundo, é muito difícil saber o que você sabe. Quando você ganha e gasta você sabe a diferença entre três dólares e um milhão de dólares mas quando você fala e vota soa tudo igual. É claro que é, seria para qualquer um e essa é a razão porque eles voltam e continuam votando. Então agora, por favor, todo mundo, todo mundo, todo mundo, por favor, dinheiro é dinheiro, e se é, deve ser a mesma coisa se é o que um pai de família ganha e gasta ou um governo, se não é, mais cedo ou mais tarde é um desastre.

Tradução de Suzana de Moraes  e Waly Salomão





Gertrude Stein [1874-1946] nasceu nos Estados Unidos. 
Gertrude Stein viveu mais de 40 anos na França. 
Gertrude Stein é uma escritora norte-americana. 
Gertrude Stein é Gertrude Stein é Gertrude Stein é Gertrude Stein. 
Esta tradução de "Dinheiro" foi publicada originalmente no extinto caderno Folhetim, da Folha de S. Paulo, n. 350, p. 12, no dia 09 de outubro de 1983. 
Embaixo da tradução vinha a seguinte nota dos tradutores: 
"do livro em preparação Gertrude Stein elementar"
livro que, infelizmente, nunca veio a  lume. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Um trem pode esconder outro (sinal num cruzamento de trem no Quênia) – Kenneth Koch



Num poema uma linha pode esconder outra linha,
Como num cruzamento, um trem pode esconder outro trem
Isto é, se você está esperando para atravessar
Os trilhos, espere ao menos um momento depois que
O primeiro trem tiver passado. Também ao ler
Espere até você ter lido a linha seguinte –
Só então é seguro prosseguir a leitura.
Numa família uma irmã pode ocultar outra,
Então, quando você estiver paquerando uma delas, é melhor ter todas à vista
Caso contrário, ao descobrir uma você pode já estar amando outra
Se você é mulher, um pai ou um irmão podem esconder
O homem que você esperou para amar
Assim, sempre em frente a uma coisa, outra
Como as palavras à frente dos objetos, sentimentos e idéias.
Um desejo pode esconder outro. E a reputação de alguém
Pode esconder a reputação de outra pessoa. Um cão pode ocultar
Outro num gramado, e se você consegue fugir do primeiro não necessariamente está a salvo
Um lilás pode esconder outro e então vários lilases e na Via Ápia uma sepultura
Pode esconder uma quantidade de outras sepulturas. No amor, uma censura pode 

                                                                                           [esconder outra,
Uma pequena queixa pode esconder outra enorme.
Uma injustiça pode esconder outra – um colono pode esconder outro
Um uniforme vermelho gritante, outro e, outro, uma coluna inteira. 

                                                                                          [Um banho pode apagar outro banho
Como quando depois de tomar banho você sai na chuva
Uma idéia pode esconder outra: A vida é simples
Esconder a vida é incrivelmente complexo, como na prosa de Gertrude Stein
Uma linha esconde outra e é outra ao mesmo tempo. E no laboratório
Uma invenção pode esconder outra invenção,
Uma noite pode esconder outra, uma sombra, um ninho de sombras
Um vermelho escuro, ou um azul, ou um púrpura – esta é uma pintura
Feita depois de Matisse. Alguém espera nos trilhos até que eles tenham passado,
Esses duplos escondidos ou, às vezes, parecidos. Um gêmeo idêntico
Pode esconder outro. E pode mesmo haver mais ali! O obstetra
Olha para o Valley of the Var. Eu e minha mulher vivíamos ali, mas
Uma vida escondeu outra vida. Então ela se foi e eu fiquei.
Uma mãe agitada esconde a filha desengonçada. A filha por sua vez esconde
Sua própria filha agitada. Elas estão em
Uma estação de trem e a filha está carregando uma bolsa
Tão maior que a bolsa da mãe que acaba por escondê-la com êxito.
Ao se oferecer para carregar a bolsa da filha, vê-se confrontando pela mãe
E obrigado a carregar sua bolsa também. Alguém que pede carona
Pode esconder outra pessoa de propósito e uma xícara de café
Outra até que a pessoa fique ultra agitada. Um amor pode esconder outro amor 

                                                                                          [ou o mesmo amor
Como quando “eu te amo” soa muito falso e encontra-se um
Amor melhor à espreita, como quando “estou cheio de dúvidas”
Esconde “tenho certeza de apenas uma coisa e é isso”
E também um sonho pode esconder outro como todos sabem, sempre. No Jardim do Éden
Adão e Eva podem esconder os verdadeiros Adão e Eva.
Jerusalém pode esconder outra Jerusalém.
Quando você chega a algo, pare para deixá-lo passar
Só então você poderá ver o que mais há ali. Em casa, não importa onde,
Caminhos internos apresentam perigo também; uma memória
Certamente esconde outra, de que fala aquela memória,
Como uma sucessão eterna para trás de entidades contempladas. Ao terminar de ler Uma viagem sentimental procure ao seu redor o Tristam Shandy, e veja se ele
Ainda está na estante, ele deve estar, e estará ainda mais forte
E mais denso e, consequentemente, tão escondido como Santa Maria Maggiore
Deve estar escondida por igrejas similares em Roma. Uma calçada
Pode esconder outra, como quando você adormece ali, e
Uma canção pode esconder outra canção: por exemplo “Stardust”
Esconde “What have they done to the Rain?” Ou vice-versa. Uma batida no andar de cima
Esconde o batuque da percussão. Um amigo pode esconder outro, 

                                                                                          [você se senta ao pé de uma árvore
Com um amigo e quando você levanta para ir embora encontra outro
Com quem você teria preferido passar as horas conversando. Um professor,
Um médico, um êxtase, uma doença, uma mulher, um homem
Podem esconder outro. Pare para deixar o primeiro passar.
Você pensa Agora é seguro passar e então você é atropelado pelo seguinte.
Pode ser importante
Ter esperado pelo menos um momento para ver o que já estava ali.




 Um trem pode esconder outro (sinal num cruzamento de trem no Quênia)  foi o primeiro poema que li de K. Koch (em uma antologia The best of the best american poetry). Ele foi publicado no livro One train (1994), onde também podemos ler Energia na Suécia.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Energia na Suécia – Kenneth Koch




Naqueles dias
Havia tanta energia dentro de mim e ao meu redor
Que eu podia usá-la e depois ainda guardá-la, como as roupas
que alguém compra apenas para ir esquiar
Mas acaba usando todos os dias
Pois todos os dias são como ir esquiar –
Acho que eu era assim aos vinte e três anos.

Quando vi aquelas seis jovens no barco – eu estava indo esquiar
E elas disseram, Somos todas de Mineápolis. Foi em Estocolmo.
Ver aquela mistura de um visual feminino americano
com sueco-americano era como ir esquiar
Embora eu não tivesse nenhum motivo para colocar toda a minha energia naquilo
ela estava ali, ela existia, era como um gigante que controla a própria fúria
Para o caso de precisar, ou como um pescador tem à disposição todas as suas varas e anzóis e iscas, e um acadêmico todos os seus livros
Ou como um aquecedor de água que tem o gás
Sendo ele usado ou não – eu tinha toda aquela energia à mão.
É sério, vocês são todas de Mineapolis? Eu perguntei, quase explodindo com a pressão.
Sim, uma delas, a segunda mais bonita, respondeu. Estamos aqui para passar alguns dias.

Durante oito ou dez anos eu lembrava desse momento
de tempos em tempos. Me pareceu que eu deveria ter feito algo na época,
Ter usado toda aquela energia. Fazer amor é uma maneira de usá-la e escrever é outra.
Talvez ambas sejam superestimadas, pois a relação é muito clara.
Mas provavelmente este é o destino humano e não vou contra ele aqui.
Às vezes as pessoas existem e a energia não, às vezes a energia existe mas as pessoas não.
Quando os deuses concedem os dois, um homem não pode reclamar

Kenneth Koch [1925-2002] nasceu em Ohio e fez parte da Escola de Nova Iorque. Começou  a publicar nos anos 50 e sua obra é extensa, incluindo poesia, prosa, drama. 
Dentre seus livros, está o lindo One train (1994), onde podemos ler este Energia na Suécia e Um trem pode esconder outro (sinal num cruzamento de trem no Quênia), primeiro poema que li de Koch em uma antologia The best of the best american poetry (está no blog da modo de usar & co.). Last but not least: a foto de Estocolmo é do meu irmão (André Garcia), que acaba de voltar de lá.  


terça-feira, 4 de outubro de 2011

História verídica de uma conversa com o sol em Fire Island – Frank O'Hara


O sol me acordou esta manhã em alto
e bom som dizendo: “Ei, estou aqui
há quinze minutos tentando
acordá-lo. Não seja mal-educado, você
é o segundo poeta com quem eu falo
em toda a minha vida
                                        por que
você não me dá atenção? Se eu pudesse
queimá-lo pela janela para te
acordar eu o faria. Não posso ficar aqui
plantado o dia todo.” 
                               “Desculpa, Sol, ontem fiquei 
acordado até tarde conversando com o Hal.”

“Quando acordei o Maiakóvsky ele me
atendeu na hora” disse o Sol
irritado. “A maioria das pessoas já está de pé
esperando para ver se eu vou dar
uma passada.”
                                 Tentei me
desculpar: “Eu te esperei ontem”
“Melhor assim” ele disse. “Não sabia
que você ia aparecer” “Você deve estar se
perguntando porque eu estou aqui tão perto?"
“Sim” eu disse começando a sentir calor
e me perguntando se ele já não estava me 
queimando.
                            “Para falar a verdade, queria dizer
que gosto da sua poesia. Eu vejo muita coisa
em minhas voltas e o que você faz me agrada. Você pode
não ser a melhor coisa sobre a terra, mas
você é diferente. Acontece que ouvi algumas pessoas
dizerem que você é louco, na minha opinião 
eles são muito parados, e outros poetas
loucos acham que você é um reacionário
chato. Eu não.
                      Siga em frente como
eu faço e não lhes dê ouvidos. Você
verá que as pessoas vão sempre reclamar
do tempo, ou está quente demais ou frio demais
ou claro demais ou escuro demais, os dias estão
curtos demais ou longos demais.
                                               Se eu não aparecer
um dia eles vão achar que estou com preguiça
ou que morri. Apenas siga em frente, é o meu conselho.

E não se preocupe se sua linha é
poética ou simples. O sol brilha na
floresta, você sabe, na tundra no mar,
no gueto. Não importava onde: 
eu sabia de você e observava seu ir e vir. Estava
só esperando você começar o trabalho.
                  
                            E agora que você resolveu,
digamos, fazer sua própria vida,
mesmo que ninguém o leia, a não ser eu,
você não vai se deprimir. Nem todos podem
olhar para cima, mesmo que pra mim. Isso machuca
seus olhos.”
                            “Ah, Sol, sou tão grato a você!”

“Obrigado e lembre-se de que estou te vendo. É
mais fácil para mim falar com você daqui de
fora. Não tenho que deslizar por entre
os prédios para você me ouvir.
Eu sei que você adora Manhattan, mas
deve olhar para cima com mais frequência.
                                                        E
sempre abrace as coisas, pessoas, terra
céu estrelas, como eu faço, livremente e com
o sentido apropriado de espaço. É essa
sua inclinação, está nas estrelas,
e você devia segui-la até o inferno, se
preciso for, o que acho que não ocorrerá.
                                      Talvez nos falemos
de novo na Africa, lugar que me fascina 
especialmente. Volte a dormir agora,
Frank, e deixarei um minipoema
na sua cabeça como despedida.”

“Sol, não vá agora!” Enfim, eu tinha
acordado. “Eu preciso ir, eles estão me
chamando”
              “Quem são eles?”
                                     Subindo ele disse “Um
dia você saberá. Eles também estão te
chamando.” Sombrio ele subiu, e então eu dormi.



Frank O'Hara [1926-1966] nasceu em Baltimore e, a partir dos anos 50, foi viver em Nova Iorque, tendo integrado a Escola de Nova Iorque. Nesse contato acima, O'Hara está na companhia da pintora Grace Hartingan. Frank O'Hara morreu tragicamente depois de ter sido atropelado em uma praia em Fire Island. Publicou diversos livros, dentre os quais está o lindo Lunch poems, editado em 1964 por Lawrence Ferlinghetti na coleção da City Lights: 



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Uma coca-cola com você – Frank O'Hara




é ainda melhor que uma viagem a San Sebastian, Irun,Hendaye, Biarritz, Bayonne
ou que ficar enjoado na Travessera de Gracia em Barcelona
em parte porque nessa camisa laranja você parece um São Sebastião melhor e mais feliz
em parte porque eu gosto tanto de você, em parte porque você gosta tanto de iogurte
em parte por causa das tulipas laranja fluorescente contra a casca branca das árvores
em parte pelo segredo que nos vem ao sorriso perto de gente e de estatuária
é difícil quando estou com você acreditar que existe alguma coisa tão parada
tão solene tão desagradável e definitiva como estatuária quando bem na frente delas
na luz quente de Nova York às quatro da tarde nós estamos indo e vindo
de um lado para o outro como a árvore respirando pelos olhos de seus nós

e a exposição de retratos parece não ter nenhum rosto, só tinta
de repente você se surpreende que alguém tenha se dado ao trabalho de pintá-los

olho
pra você e prefiro de longe olhar para você do que para todos os retratos do mundo
exceto talvez às vezes o Cavaleiro Polonês que de qualquer maneira está no Frick
aonde graças a Deus você nunca foi de modo que eu posso ir junto com você a primeira vez
e isso de você se mover tão bonito mais ou menos dá conta do Futurismo
assim como em casa nunca penso no Nu Descendo a Escada ou
num ensaio em algum desenho de Leonardo ou Michelangelo que costumava me deslumbrar
e o que adianta aos Impressionistas tanta pesquisa
quando eles nunca encontraram a pessoa certa para ficar perto de uma árvore quando o sol baixava
ou por sinal Marino Marini que não escolheu o cavaleiro tão bem
quanto o cavalo                 

acho que eles todos deixaram de ter uma experiência maravilhosa
que eu não vou desperdiçar por isso estou te contando

Tradução de Luiza Franco Moreira 
(Publicada em Inimigo Rumor 9)