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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Um compatriota punjabi no metrô de Barcelona – Amarjit Chandan





Quando você olhou
pensei aquele senhor está me olhando.

Você está sozinho?
Não veio mais ninguém?

Não posso trabalhar agora:
Não sou tão velho assim – pouco mais de vinte e cinco.

Estou aqui há seis anos.
A metade desse tempo passei em pé, preparando rotis no fogão dos restaurantes.
O dinheiro de Deus.
Muitos garotos enlouqueceram e se suicidaram.
Hipotecamos para o futuro o conforto de hoje.

Bahawalpur e Barcelona se distanciam cada vez mais.
A casa é uma ilha boiando no vasto oceano.

O sol dessa cidade acolhe todo mundo.
Deixe a neblina de Londres e venha morar aqui.

O metrô vai parar na próxima estação.

Descendo ele suspirou e disse:
Que época para suportar a dor.

E desapareceu abrindo caminho pela multidão.


**

amarjit chandan nasceu em nairobi, em 1946, e é um poeta de língua punjabi
amarjit chandan imigrou para londres em 1980
traduzi esse poema de uma versão em inglês (feita pelo próprio amarjit)
publicada na revista "modern poetry in translation" (mptmagazine.com)
– num número especial dedicado aos refugiados, 
"the great flight, refugee focus", 
cuja capinha está no post de ontem –, 
presente lindo que ganhei 
do rob packer (thanks, rob!)

domingo, 31 de julho de 2016

Neste país – Amarjit Chandan



Neste país o estrangeiro começa a perder a memória no dia em que chega.

Ele fica mudo na sua língua.

O ar em volta traduz o silêncio dele para o inglês -- 
Está nevando.
As folhas secas estão caindo.
As ondas do mar baixam.
O rio diminui.
O chá está esfriando.
As fotografias vão desaparecendo.

Ele fica pensando -- não deveria estar neste país.
Ele continua sendo um estranho aqui e
Começa a acreditar nos outros estranhos.

Uma peça quebrou na engrenagem do tempo.
O vinil fica tocando com a agulha presa na mesma faixa.

Neste país o estrangeiro não sabe o que faz.
Fica sempre inconsciente             perdido nos seus pensamentos.
Usa sapatos maojay de Punjabi com terno 3 peças.

Neste país o estrangeiro fica olhando para a foto do seu antigo passaporte
e se assusta ao ver a própria imagem.

Neste país o estrangeiro se surpreende de perceber que o caminho de volta para casa é bem longo
Quando está perdido na sua cidade natal, a lua lhe aponta qual caminho tomar
Ela o acompanha até que amanheça e ele bata à porta de sua própria casa.



**

amarjit chandan nasceu em nairobi, em 1946, e é um poeta de língua punjabi
imigrou para londres em 1980
traduzi esse poema de uma versão em inglês (dele e de julia casterton) 
publicada na revista "modern poetry in translation" 
(número especial dedicado aos refugiados, 
chamado "the great flight, refugee focus", colo a capinha aí embaixo), 
presente lindo que ganhei 
do rob packer (obrigada, rob!)