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sábado, 22 de outubro de 2011

Para o livro de literatura de segundo grau – Hans Magnus Enzensberger




Não leias odes, meu filho, lê os horários
(dos trens, dos ônibus, dos aviões):
são mais exatos. Abre os mapas náuticos
antes que seja tarde demais. Sê vigilante, não cantes.
Chegará o dia em que eles, de novo, pregarão listas
no portão e desenharão marcas no peito daqueles que dizem
não. Aprende a ir incógnito, aprende mais do que eu:
a mudar de bairro, de passaporte, de rosto.
Entende da pequena traição,
da salvação suja de todos os dias. Úteis
são as encíclicas para se fazer fogo,
e os manifestos: para a manteiga e sal
dos indefesos. É preciso raiva e paciência
para se soprar nos pulmões do poder
o fino pó mortal, moído
por aqueles, que aprenderam muito,
que são exatos, por ti.


Tradução Kurt Scharf e Armindo Trevisan

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Modelo da teoria do conhecimento – Hans Magnus Enzensberger


Aqui tens 
uma grande caixa
com o rótulo:
caixa.
Se a abrires,
encontrarás nela
uma caixa
com o rótulo:
caixa
tirada de uma caixa
com o rótulo:
caixa.
Se a abrires – 
agora me refiro
a esta caixa
não àquela –,
encontrarás nela
uma caixa
com o rótulo
etcetera;
e se continuares
assim,
encontrarás,
depois de infindáveis fadigas,
uma caixa
infinitamente pequena
com um rótulo
tão miúda
que, por assim dizer,
se evapora diante de teus olhos.
É uma caixa
que existe só na tua imaginação.
Uma caixa totalmente
vazia.


Tradução de Kurt Scharf e Armindo Trevisan