terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Começa – Josée Lapeyrère





começa quase sempre com um traço

uma palavra.... uma mosca que voa ou
um leopardo que atravessa o avesso
da janela ....de um salto.... e entre o arco
de suas patas estiradas ....eu vejo o homem
que lava os vidros ....ele não viu
a fera assim como os outros sentados
em seus escritórios.... diante das telas azuis
começa com um traço...... um índice
leve uma mosca que voa ....ou
uma tatuagem como a de um sol que
surge da dobra do cotovelo do lutador
as linhas negras saindo em leque
em direção a um bíceps para sempre matinal ou

o ruído da cadeira raspando
o ladrilho .....que desperta.... gritando
seus quatro pés...... um peso essa cadeira
a cadeira vermelha por que você já vai
por que não vai ..........vem
aqui me dá um beijo....... me deixa uma marca
a marca dos dentes ......ou das garras
a marca do chicote .......ou do vôo
da mosca ......a marca de um traço no ar

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