segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Um teste de resistores [2014]


Um teste de resistores 
[Rio de Janeiro: 7letras, 2014] 

Sumário do livro: 
Blind light [leia um excerto]
Ordem alfabética [vídeo]
Você chorou em Bruxelas?
No aeroporto Schönefeld de Berlim
Na 19a edição da meia maratona de Lisboa
Ztaratztaratsztaratztaratztaratztaratztaratz
Uma mulher que se afoga
Uma partida com Hilary Kaplan
O que é um começo?
Sobre o Atlântico
A poesia é uma forma de resistores?





* resenha, por Ricardo Domeneck, em sua coluna no site do jornal DW
* resenha, por Matheus Mavericco, no site Escamandro.
* resenha, por Pedro Mexia, na revista E.
* resenha, por Juliana Brina, aqui.
* resenha, por Rob Packer (in english, a review on book), aqui.
* resenha, por Maurício Chamarelli Gutierrez, 
       publicada no Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea, aqui
* artigo sobre o livro, por Danielle Magalhães, na Revista Escrita (PUC-RIO), n. 23.



Um teste de resistores, 2a edição [Rio de Janeiro: 7letras, 2016]


Um teste de resistores [Lisboa: Mariposa Azual, 2015]


trailer 1:

 

domingo, 30 de novembro de 2014

20 poemas para o seu walkman [2007]



20 poemas para o seu walkman
[São Paulo/ Rio de Janeiro: Cosac Naify, 7letras, 2007]
Leia um poema aqui: Svetlana



2a edição: 20 poemas para o seu walkman
[Rio de Janeiro: 7letras, 2016]


já me perguntaram algumas vezes sobre a capa da nova edição do "20 poemas para o seu walkman". como não entrou nenhum crédito no miolo, conto 2 histórias sobre ela.
as ondas que desenhei ali representam os sons do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko gravados pela sonda rosetta, em 2014. a partir dos gráficos de som que peguei na internet, fiz algumas experiências e desenhos para chegar nessa ilustração. (colo abaixo:)
na época de fechar a capa do livro, fui para um festival na romênia e, por engano, acabei imprimindo um dos poemas que leria no festival em cima do gráfico de som do cometa. só me dei conta do engano na hora da leitura e precisei ler o poema assim mesmo, sobreposto ao gráfico. antes da leitura expliquei em inglês que era um "poema de amor" e, como não entendiam nada do que eu lia em português e viram o desenho que me servia de "partitura", acabaram dizendo depois que meu texto estava escrito não em português, mas na linguagem dos eletrocardiogramas, e que na verdade eu estava lendo as batidas do coração...




20 poemas para tu walkman
[Bahía blanca: Vox edicciones, 2012.]
Trad. de Diana Klinger, Mário Camara e Paloma Vidal.
leia alguns poemas traduzidos na revista Grumo

* resenha da edição argentina, por Franco Castignani, no site Otra parte.


Engano geográfico [2012]

Engano geográfico 
[Rio de Janeiro: 7letras, 2012.]

* artigo de Victor Heringer, no site Fórum de literatura brasileira contemporânea.

* artigo de Pablo Simpson, na revista Contexto.

* leitura de Rob Packer, no wordpress do autor, Nomadic permanence.

* artigo de Flora Süssekind em que analisa alguns livros, 
dentre os quais o engano geográfico. O Globo.


***


Error geográfico [entre resistores]
Barcelona: Kriller71, 2015.
Trad. de Aníbal Cristobo
Edição que inclui o poema engano geográfico + poemas dos livros 
um teste de resistores e 20 poemas para o seu walkman



* resenha do livro, por Cristina Elena Pardo, no site Pictograma.

* resenha do livro, por Patricio Grinberg, no site La tribu de Frida.

Svetlana – Marília Garcia

na véspera de sua partida para 
ny, emmanuel hocquard datilografa
um poema de george oppen
em sua máquina de escrever
underwood n. 3. é como svetlana querendo voltar
para barcelona aqui não fico
mais nem um dia dizia no café
com nome grego que
lhe fazia falta ver as coisas
invisíveis daquela cidade e seu marido
na contramão carregando
no braço o menino sem língua,
tentando alcançar o que
aparecia do outro lado do mar
se alguém ainda viria
para ajudá-los
                         nesta época
do ano a tormenta não costuma
demorar (o poema era em inglês)
e tinham medo de se perder, 
ela dizia, por isso a distância,
ritmo de degrau seguindo
cortado, por isso
                           o modo de andar e
o ziguezague do avião sempre que saíam juntos. 
tinham medo e todos os dias fazia
algo para evitar. depois queria 
encontrá-lo na rua,
perdido, como um acidente:
cruza uma esquina e vê. desligou
a chamada na hora
precisa, a voz cortada outra
vez antes de seguir
pelas ramblas.

[poema do livro 20 poemas para o seu walkman. são paulo: cosac naify, 2007.]

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Um teste – Thiago Gallego

ontem à noite comecei a ler o livro novo da marília garcia
um teste de resistores
comecei a ler pelo último poema
a poesia é uma forma de resistores?
comecei a ler pelo último poema porque já tinha ouvido uma versão dele
lida pela marília na casa de leitura dirce côrtes
no humaitá
e tinha vontade de ouvir de novo
acontece que quando li o último poema
a poesia é uma forma de resistores?
não era a minha voz na minha cabeça
que lia o poema
era a voz da marília nos encontros
da casa de leitura dirce côrtes
e hoje no ônibus quando comecei o primeiro
poema e o que vem logo depois dele
ainda era a voz da marília na minha cabeça
fiquei fascinado pela ideia de ler com uma voz e um ritmo
tão diferentes do meu
fiquei fascinado e imaginei que todo o livro seria isso

desci do ônibus pensando com aquele ritmo aquela voz e escrevendo com eles
também
passei o dia assim

ao contrário do que eu esperava
conforme avançava
no anfiteatro da puc
em outros dois ônibus
a voz na minha cabeça foi se tornando um híbrido
entre a da marília e a minha
ora era como eu e quase só eu
lendo
ora era a marília
mas na maior parte
um dueto

escrevo com algum medo de que soe uma tentativa
de imitar texto tão vivo
ainda assim escrevo
num híbrido algo tosco
de vozes
porque acho bonito
muito bonito
quando uma coisa dessas
um ataque direto do poema no corpo
feito bactéria
acontece

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no dia 22 de agosto de 2014
recebi um email do thiago gallego com este poema
o thiago gallego explicava no email que estava lendo um teste de resistores
e que no calor da hora tinha feito esse teste
depois recebi outros poemas que conversavam com um teste de resistores
e por sugestão do dimitri (que também fez um
vou reunir esses textos-testes aqui 
fazendo uma espécie de antologia-em-diálogo.
o thiago gallego é carioca, estuda cinema 
e é um dos editores da bliss não tem bis http://blissnaotembis.blogspot.com.br

sábado, 4 de outubro de 2014

Epopeia, uma aventura de Batman -- Christophe Fiat


À noite,
em Gothan City,
tudo é imenso
tudo acontece
no infinito
das aventuras
do Batman.
Vemos apenas
as chamas
e as imagens
se sobrepõe
como as tantas
manchetes
que anunciam
as mudanças
feitas
na cena do crime.
Numa das manchetes
lemos
EU VOU MATAR VOCÊ!
e entendemos
ELE DIZ QUE VAI MATAR VOCÊ
Então Batman faz sua ronda
como um animal
no grande cenário
natural
de Gotham City,
Batman fala pouco.
Sua voz responde.
Ela é rápida
atonal
plana
horizontal
neutra.
Batman tem
a loucura comum
aos aventureiros
que tratam
a noite
como um inferno.
Batman diz BANG!
BIFF! CRUNCH! ZAP!
Se Batman fala pouco,
ele bate muito
Muitas vezes ele mata [...]

Quando Batman
diz sim!
E faz BANG!
BIFF! CRUNCH! ZAP!
Batman passa à ação
Então a noite
de Gothan City
se ilumina por um instante
com as chamas da ação
de Batman
Então ele está
no auge
da sua vida mítica-real
que avalia
todas as transformações
ocorridas
como as transformações
de um homem
em morcego.
O problema
de Batman
é que nunca sabemos
se estamos
em um filme de criminosos
ou num filme policial
porque
quando Batman bate
ele passa sem distinção
da situação ao duelo
(filme de criminosos)
e do duelo à situação
(filme policial).
Para Batman
todas as ações
são cegas
e todas as situações
são obscuras
e a noite
de Gotham City
é o teatro de operações
de uma catástrofe
que chega
como uma canção
e que atravessa os lugares
e as pessoas.
Batman
tem o senso prático
desenvolvido
É preciso lidar
com o tempo
É preciso entrar
na engrenagem
da noite
É preciso
abolir o tempo
É preciso
manter
a velocidade
de propagação
de uma imagem falsificada
por quanto tempo for possível,
sideral
e siderado e siderante
que se reparte diretamente
no rumor
das chamas
e das brigas de rua.

Na manchete
lemos
EU VOU MATAR VOCÊ!
e entendemos
ELE DIZ QUE VAI MATAR VOCÊ
Então sabemos
que se refere ao Batman.
Mesmo que seja
só uma frase
"EU VOU MATAR VOCÊ ELE DIZ QUE VAI MATAR VOCÊ"
circulando pela
noite de Gothan City
e que se propaga
numa frequência
situada entre 20 kHz
e 120 kHz
mostrando
as aventuras
entre os personagens
independentes
(Batman
e os super-herois
e os policiais
e os bandidos)
e os lugares separados
(todas as ruas
e todos as praças
e todos os prédios
de Gothan City).




este é um excerto do livro
Épopée, une aventure de Batman, publicado pela al dante, niok, em 2004,
e que eu li na antologia Sac à dos, une anthologie de poésie contemporaine pour lecteurs en herbe, organizada por Jean-Michel Espitallier

domingo, 31 de agosto de 2014

QQQQQ (excerpt A-Because) – Lenka Clayton



a lenka clayton é uma artista britânica (n. 1977). 
a lenka clayton pôs em ordem alfabética 
o discurso do Bush sobre o terrorismo de 29/01/2002.
o nome do trabalho (qqqqqq) é um trecho da ordem alfabética: 
qaeda quality question quickly quickly quiet 
o bush diz america/ns em torno de 60 vezes