Lembre-se dos sábios filósofos
A vira dura só um instante
Mas quando espero minha namorada
É uma eternidade
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segunda-feira, 10 de julho de 2017
Filosofia – Jaroslav Seifert
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Retrato molhado – Jaroslav Seifert
Aqueles dias lindos
em que a cidade parece um dado, um hino, um ventilador
ou uma concha de vieira à beira-mar
– tchau, tchau, garotas, belíssimas garotas,
nos conhecemos hoje
e não nos veremos nunca mais.
Os domingos lindos
em que a cidade parece um dado, um hino, um ventilador
ou uma concha de vieira à beira-mar
– tchau, tchau, garotas, belíssimas garotas,
nos conhecemos hoje
e não nos veremos nunca mais.
Os domingos lindos
em que a cidade parece um jogo de futebol, um cartão e uma ocarina
ou um sino indo e vindo
– na rua ensolarada
as sombras dos passantes se beijavam
e eles seguiam, completos desconhecidos.
Aquelas noites lindas
em que a cidade parece uma rosa, um tabuleiro de xadrez, um violino
ou uma garota chorando
– no bar jogávamos dominó, dominó de bolas pretas, com garotas magrelas,
olhando para os seus joelhos
ou um sino indo e vindo
– na rua ensolarada
as sombras dos passantes se beijavam
e eles seguiam, completos desconhecidos.
Aquelas noites lindas
em que a cidade parece uma rosa, um tabuleiro de xadrez, um violino
ou uma garota chorando
– no bar jogávamos dominó, dominó de bolas pretas, com garotas magrelas,
olhando para os seus joelhos
que eram esquálidos
feito dois crânios com as coroas de seda da cinta-liga
no reino desesperado do amor.
feito dois crânios com as coroas de seda da cinta-liga
no reino desesperado do amor.
Jaroslav Seifert nasceu em Praga, em 1901.
Jaroslav Seifert faleceu em Praga, em 1986.
Leia o poema "Um guarda-chuva de Piccadily" aqui.domingo, 19 de agosto de 2012
Um guarda-chuva de Piccadily – Jaroslav Seifert
Se você não sabe o que fazer em relação ao amor
tente se apaixonar outra vez –
por exemplo, pela Rainha da Inglaterra.
Por que não!?
O rosto dela aparece em todos os selos postais
daquele antigo reino.
Mas se você a convidasse
para um encontro no Hyde Park
com certeza
esperaria em vão.
Se tivesse um mínimo de senso
diria a si mesmo sabiamente:
Por quê?, é claro, entendi:
está chovendo no Hyde Park hoje.
Quando esteve na Inglaterra
meu filho me trouxe de Piccadilly em Londres
um elegante guarda-chuva.
Sempre que preciso
tenho agora sobre a minha cabeça
meu próprio céu em miniatura
que pode até ser preto
mas em seus raios de arame tensionados
a misericórdia de Deus escorre como
uma corrente elétrica.
Abro meu guarda-chuva mesmo quando não chove
como um dossel
sobre o volume dos sonetos de Shakespeare
que levo no bolso.
Mas em alguns momentos até
o cintilante buquê do universo me assusta.
Ultrapassando a beleza
ele nos ameaça com tamanha infinitude
que parece mais
o sono da morte.
Ele também nos ameaça com o vazio e quando congela
suas milhares de estrelas
que à noite nos iludem
com seu brilho.
Aquela a que chamamos Vênus
é a mais aterrorizante.
Ela possui pedras que ainda estão fervendo
e como gigantescas ondas
as montanhas vão surgindo
e queimando as cascatas de súlfur.
Sempre perguntamos onde será que fica o inferno.
Ele está ali!
Mas para que serve um frágil guarda-chuva
diante do universo?
Além do quê, eu nem mesmo o levo comigo.
Tenho bastante trabalho
para ficar
me arrastando pelo chão
como uma mariposa noturna durante o dia
em uma áspera casca de árvore.
Toda minha vida procurei o paraíso
que outrora existiu aqui,
cujos rastros eu havia encontrado
somente nos lábios das mulheres
e nas curvas produzidas pela sua pele
com o calor do amor.
Toda minha vida desejei
a liberdade.
Enfim, descobri o caminho
que até ela conduz.
É a morte.
Agora que estou velho
verei o rosto de alguma charmosa mulher
uma vez ou outra flutuando entre meus cílios
e seu sorriso transformará meu sangue.
Timidamente me viro
e lembro da Rainha da Inglaterra,
cujo rosto está em todos os selos postais
daquele antigo reino.
God save the Queen!
Sim, eu sei muito bem:
está chovendo no Hyde Park hoje.
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